Tênis x Impacto


Não há um dia sequer em que passo sem ouvir as palavras “impacto” e “tênis” usadas normalmente para justificar uma lesão relacionada a corrida. Mas até onde existe uma relação entre tênis e impacto?

Vamos começar entendendo melhor o que é o impacto. O pico de impacto é o resultado do contato do choque de dois corpos, no nosso caso, especificamente, o contato do pé com o solo durante a corrida.

E quais são as estruturas responsáveis por dissipar esse fantasma do pico de impacto? Temos algumas estruturas passivas como o calçado, a gordura do calcanhar, os ligamentos, as cartilagens e os ossos, que através de suas deformações são os responsáveis por atenuar o pico de impacto.

Não podemos nos esquecer que ainda entram os músculos nessa historia. O pico de impacto, comentado anteriormente, ocorre nos primeiros 30 ms (milissegundos) e o tempo de latência muscular é superior a esse tempo. Ou seja: nossos músculos não dissipam esse pico de impacto e sim o pico ativo.

Esse é o pico de força que representa a movimentação dos membros inferiores e a desaceleração do centro de massa, sendo, sim, o grande responsável pelas lesões, pois exige um equilíbrio grande entre as fases de aceleração e frenagem muscular (fase concêntrica e fase excêntrica). O que encontramos no dia a dia é uma falta desse controle muscular entre a maioria dos corredores.

Porém, temos uma lesão muito comum entre os atletas de corrida causada pelo pico de impacto: a síndrome do estresse medial da tíbia (canelite, tibialgia). Essa lesão assombra grande parte dos corredores e tem o aumento do pico de impacto como uma das causas descritas na literatura.

E o tênis novo que eu comprei para diminuir o impacto?

Bom, se sabemos que o pico ativo que contribui para a maioria das lesões da corrida está relacionado com a baixa capacidade muscular, acredito que é hora de darmos mais atenção para os músculos e começarmos a ensiná-los que eles podem ajudar a controlar esse impacto.

O tênis pode ajudar a reduzir o pico de impacto e consequentemente diminuir as chances de se desenvolver uma canelite, por exemplo, mas pensar que o tênis vai solucionar o problema do impacto é simplificar um problema.

O melhor caminho é fazer um bom trabalho de fortalecimento muscular, ensinando seus músculos a acelerar e desacelerar na hora certa, ativando os grandes grupos musculares responsáveis pelo controle de carga – quadríceps e glúteos são os músculos com grande secção transversa e com grande capacidade de absorção de impacto.

Concluindo: é possível, sim, reduzir o pico de impacto. Mas esse é um tema para falarmos nos próximos posts.

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Nilcio Flavio

Corredor e fisioterapeuta esportivo pelo Five Centro de Treinamento. Formado em Fisioterapia em 2010 pela PUC Minas e especialista em Fisioterapia Esportiva pela UFMG, em 2012. Corredor desde 2012, completou sua primeira maratona em 2016, em Buenos Aires.

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